Editorial 0, 2010/01
Este número inaugural da Revista de Estudos Políticos inclui, em sua primeira seção, cinco artigos que versam sobre temas variados. No primeiro deles, Diogo Pires Aurélio aborda a relação entre soberania e representação no pensamento político moderno. O segundo artigo, de Victor Barros, trata das representações de Cabo Verde a partir da imaginação sobre a experiência colonial brasileira. Em seguida, Glaucia Villas Boas apresenta um panorama da obra de Maria Isaura Pereira de Queiroz, socióloga brasileira com estudos representativos sobre sociedade rural e classes no Brasil. O artigo de André Duarte investiga a concepção do político subjacente à reconstrução de Hanna Arendt da polis grega. Por fim, João Marcelo Maia associa o tema do pensamento social brasileiro à imaginação pós-colonial.
A segunda seção da revista inclui resenha de Bernardo Bianchi Barata Ribeiro sobre Coerção, capital e estados europeus (990-1992), de Charles Tilly, vinte anos depois de sua publicação original nos Estados Unidos.
Em seguida, a terceira seção reúne a primeira parte do Arquivo Assis Brasil, que terá seguimento na próxima edição da revista. Assis Brasil foi um político liberal gaúcho com importante atuação no período da Primeira República brasileira. Além de uma nota de apresentação ao político e ao dossiê e de um levantamento dos fatos mais significativos de sua biografia diplomática e política, este número traz a público duas conferências. A primeira delas, O Oportunismo e Revolução, de 1880, é ilustrativa do envolvimento do político com a propaganda republicana. A segunda conferência, intitulada A Situação, de 1905, consiste na defesa vigorosa da experiência do novo regime político. A publicação deste dossiê inaugura a preocupação dos editores da Revista de Estudos Políticos em divulgar material de referência para estudiosos dos diversos campos da teoria política. Vale notar que os documentos reunidos neste projeto editorial permaneceram, por longo tempo, escassamente disponíveis para leitura em edições de época, no arquivo pessoal do político, em Pedras Altas, no Rio Grande do Sul, e, no caso de discursos na Câmara, nos anais do Congresso.
Por fim, por ocasião dos dez anos da República Democrática do Timor-Leste, este número inaugural encerra-se com entrevista exclusiva com o presidente José Ramos Horta, prêmio Nobel da Paz em 1996. Nesta oportunidade, o político trata de temas diversos como identidade lingüística, religião e cooperação internacional no contexto timorense.
Os editores
